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  Quarta-feira , 08 de Setembro de 2010

 

Notícias

 

Criopreservação de sêmen
Homens com câncer devem ser alertados para a prevenção da fertilidade
Texto atualizado em 07 de Dezembro de 2004 às 15h24
 

A maioria dos casos de câncer de testículo ocorre entre 18 e 35 anos, o tipo de câncer que tem maior incidência nesta faixa etária. Antes de iniciar o tratamento, pacientes devem ser informados sobre a possibilidade – e a importância – em se preservar os espermatozóides e, conseqüentemente, a fertilidade

 

O jovem paciente e a sua família recebem a notícia que ninguém gostaria de ouvir: os exames clínicos confirmaram a suspeita de câncer nos testículos. Entre a notícia e o início do tratamento há um mínimo espaço de tempo, o suficiente apenas para juntar os documentos e realizar a orquiectomia, cirurgia para a retirada do testículo com câncer. Na corrida pela vida, todos se esquecem de um dos importantes efeitos da quimio e radioterapia, que é o de comprometer a fertilidade, causando infertilidade temporária ou esterilidade permanente.

 

Atualmente, graças aos avanços da Medicina, a maioria dos casos de câncer tem um final feliz, com 95% dos casos com cura. Segundo o urologista Jorge Hallak, diretor executivo do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas, de São Paulo, as primeiras preocupações de 88% dos pacientes após receberem a notícia de que o câncer foi eliminado, são em relação à sexualidade e à fertilidade. “Eles são jovens, querem ter filhos, e devem ter essa possibilidade preservada antes de iniciar o tratamento”, disse.

 

Segundo Hallak, os oncologistas devem informar sempre os pacientes sobre a possibilidade em se criopreservar (congelar) o sêmen. “O congelamento deve ser anterior à cirurgia ou à primeira sessão de quimio ou radioterapia”, alerta Hallak. “Uma normativa recente reconhece risco de lesão no DNA do espermatozóide 24 horas após o paciente se submeter à quimioterapia”, disse. Porém, infelizmente essa orientação prévia não é a regra. “Nos Estados Unidos, apenas 42% dos oncologistas sugerem aos pacientes a possibilidade da criopreservação do sêmen”, afirma Hallak. “No Brasil, esse índice não chega a 5%”, destaca. “Depois de iniciado o tratamento, ou depois de curado, é que o paciente vem ao consultório desesperado por estar com a fertilidade comprometida”, conta o especialista.

 

Cerca de 2/3 dos pacientes que recebem radioterapia ficam azoospérmicos por um período que varia de dois a cinco anos. A azoospermia é a ausência de espermatozóides no ejaculado. Já 96% dos pacientes que se submetem à quimioterapia tornam-se azoospérmicos logo após o tratamento. Desses, 67% voltam a apresentar espermatozóides no ejaculado no período de dois a três anos após o término da quimioterapia. Porém, 33% irão continuar azoospérmicos. “Porém, a maioria dos pacientes submetidos a tratamentos contra o câncer não consegue engravidar a mulher naturalmente, pois fica oligoospérmico (diminuição na quantidade ou alteração no movimento ou na formação do espermatozóide)”, afirma Jorge Hallak.

 

A vantagem em se criopreservar (congelar) o sêmen antes de iniciado o tratamento é garantir a possibilidade para gerar filhos no futuro com a ajuda de técnicas de Reprodução Assistida. A criopreservação do sêmen é indicada para homens que serão submetidos à quimioterapia ou radioterapia devido a câncer de testículo, linfoma, leucemia ou qualquer outro tipo de tumor. Também é indicada nos casos pré-vasectomia e doenças que utilizem terapias imunossupressoras, como lupus e artrite reumatóide. Pessoas com profissões de alto risco para a fertilidade, como mergulhadores, e expostos a produtos químicos, agrotóxicos, pesticidas e radiações ionizantes também devem se beneficiar da criopreservação de sêmen.

 

Em São Paulo, o Androscience – Centro de Referência em Infertilidade Masculina e Centro de Referência em Criopreservação de Sêmen e Tecido Reprodutivo (www.androscience.com.br) oferece o programa de Banco Terapêutico de Sêmen, pronto para receber pacientes e coletar amostras todos os dias do ano.

 

Sobre o especialista

 

O urologista Jorge Hallak, doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é diretor executivo do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas. É professor de Urologia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; diretor de Andrologia da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana; e responsável pela seção de Reprodução Humana, Infertilidade e Sexualidade da Sociedade Brasileira de Oncologia. É diretor do Comitê de Reprodução da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica.