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  Quarta-feira , 08 de Setembro de 2010

 

Notícias

 

Teste de fertilidade
Espermograma não é teste de fertilidade
Texto atualizado em 11 de Dezembro de 2006 às 14h45
 

O urologista Dr. Jorge Hallak, coordenador técnico-científico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas, alerta para a importância de se analisar corretamente o exame

 

Quando um casal não consegue gerar os filhos desejados, inicia-se a investigação do motivo da infertilidade. No caso dos homens, o espermograma costuma ser o primeiro exame solicitado e, equivocadamente, é considerado por muitos como um teste de fertilidade.

 

“Ele não diz se um homem é fértil ou não. Descreve somente as características do sêmen, mas não determina a capacidade funcional do espermatozóide. E é ela que vai possibilitar a concepção”, afirma. “Um outro problema é relacionado à análise do exame, que deve ser feita por profissional altamente especializado”, disse.

 

O espermograma dá parâmetros de concentração (quantidade), motilidade (movimento) e morfologia (forma). Porém, a avaliação deve seguir critérios rigorosos para se obter uma análise apropriada. “Exijo treino de oito horas por dia, durante dois anos, para o profissional realizar um espermograma”, afirma Hallak. “E há lugares que formam um técnico em três dias”, completa.

 

E não é fácil a arte de ver, contar e analisar aqueles “bichinhos” minúsculos ao microscópio. Que o diga a biomédica Juliana Andrietta, que exercitou a análise durante mais de um ano e meio até liberar o primeiro exame sozinha. “Tem de ter o olho muito treinado, pois a observação influencia bastante o resultado”, conta.

 

A observação faz diferença porque os parâmetros são analisados pelo olhar do profissional. Há valores de referência, mas é o técnico que vai avaliar se a forma (morfologia) está dentro desses valores. Um pode enxergar o espermatozóide perfeito. O olhar mais atento de um outro profissional, porém, pode ver um pescoço deslocado ou vacúolos (“bolhas”) na cabeça, defeitos que devem ser considerados.

 

O movimento do espermatozóide, outro parâmetro analisado, também pode gerar resultados distintos. Há quatro graus de motilidade: os que se movimentam rapidamente, os lentos, os sem progressão e os imóveis. É importante avaliar exatamente qual o grau de cada espermatozóide. Uma análise equivocada poderá levar a um tratamento inadequado.

 

Até mesmo a concentração, ou seja, quantidade de espermatozóides no ejaculado, também pode originar resultados distintos. “Há lugares que só fazem análise computadorizada, sem o olhar humano”, diz Juliana. “A máquina pode considerar espermatozóide, o que na verdade era um fiapo”, afirma. “Por isso, é importante que as análises computadorizada e humana sejam realizadas em conjunto, complementando-se”, destaca.

 

“Com um espermograma bem feito, morfologia e subparâmetros bem analisados, é possível avaliar a própria espermatogênese, ou seja, a formação do espermatozóide”, afirma Hallak. “Ao desmembrarmos a célula do espermatozóide, podemos detectar onde está o defeito em sua origem”, afirma o urologista.

 

Outros cuidados que devem ser observados no espermograma são a abstinência sexual de dois a cinco dias e a realização de uma segunda coleta para análise após de 15 dias.

 

Em caso de investigação de infertilidade masculina, devem-se dosar os hormônios Testosterona, FSH e LH, e realizar ultra-sonografia de testículo. São os hormônios que participam da produção e maturação dos espermatozóides e a ultra-sonografia pode revelar existência de varicocele (varizes), a principal causa de infertilidade masculina, presente em 45% dos casos em que não se consegue ter o primeiro filho; e em 80% dos casos quando não se consegue ter o segundo filho.