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  Quarta-feira , 08 de Setembro de 2010

 

Notícias

 

Vasectomia
Reversão de vasectomia: quem faz e por quê?
Texto atualizado em 10 de Julho de 2006 às 12h41
 

Novo casamento, com mulher mais jovem e sem filhos, faz com que vasectomizados decidam voltar atrás

 

Mais de 30 milhões de casais em todo o mundo recorrem à vasectomia, número que representa 8% de todos os métodos contraceptivos. Contudo, com as altas taxas de divórcios observadas nas sociedades modernas, muitos homens acabam arrependendo-se da decisão que um dia consideraram definitiva.

 

“Um novo casamento, geralmente com uma mulher mais nova, que ainda não teve filhos, é o principal motivo que leva cerca de 6% dos vasectomizados a procurar um cirurgião para fazer a reversão”, afirma o Dr. Jorge Hallak, urologista do Hospital das Clínicas de São Paulo e especialista em Reprodução Humana.

 

Estudos médicos realizados nas duas últimas décadas construíram um perfil do homem mais propenso a querer reaver a capacidade de gerar filhos: ele fez a vasectomia muito jovem, com menos de 30 anos, e agora está chegando aos 40, prestes a casar-se novamente, com uma mulher ainda na casa dos 20 anos que deseja tornar-se mãe pela primeira vez.

 

Além dos novos casamentos, também são fatores para a reversão da vasectomia a morte de um filho do casal, a mudança na situação econômica da família —o aumento da renda muitas vezes faz com que o marido e a mulher sintam ter condições de poder arcar com as despesas de mais uma criança— e até uma alteração nas convicções religiosas —com a adesão aos princípios de uma religião que condena a esterilização.

 

A reversão é um procedimento com bons índices de sucesso —nas operações feitas até 3 anos após a vasectomia, a chance de obter espermatozóides na ejaculação é de 97%— e apresenta vantagens sobre alternativas para os vasectomizados. “A reversão atinge o dobro do sucesso, com metade do custo da Reprodução Assistida”, afirma Hallak. “Mesmo para os pacientes com longo tempo pós-vasectomia, a reversão representa opção com menores custos e melhor resultado de gravidez que fertilização assistida”, destaca.

 

Principais motivos para a reversão de vasectomia*:

 

- Novo casamento com mulher mais jovem, que não tem filhos

 

- Morte de um filho

 

- Mudança na situação financeira

 

- Mudança nas crenças religiosas

 

- Melhora na saúde da parceira elimina impedimentos médicos à gravidez

 

Quem tem mais chances de se arrepender de uma vasectomia*:

 

- Quem faz a operação com menos de 30 anos

 

- Quem está num relacionamento que passa por fase instável

 

- Quem atravessa momento de grande estresse ou encontra-se em dificuldades econômicas

 

- Quem faz a operação somente para agradar à parceira

 

- Quem tem uma parceira que trabalha no momento da decisão (muitas se arrependem mais tarde, quando mudam de status profissional)

 

- Quem está sozinho no momento da vasectomia (incluindo divorciados ou separados)

 

- Quem tem como motivo principal a vontade de livrar-se dos incômodos oferecidos por outros métodos contraceptivos

 

- Quem não avaliou a possibilidade de mudanças na vida, como divórcio, novo casamento ou a morte de um filho

 

* Fonte: Dr. Jorge Hallak – urologista e Médico-Assistente Doutor da Divisão de Clínica Urológica e Coordenador Técnico-Científico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da FMUSP. É diretor de Andrologia da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana; e responsável pela seção de Reprodução Humana, Infertilidade e Função Sexual da Sociedade Brasileira de Cancerologia. É diretor do Comitê de Reprodução da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica e diretor do Androscience – Centro de Referência em Infertilidade Masculina e Centro de Referência em Criopreservação de Sêmen e Tecido Reprodutivo –, que oferece programa de Banco Terapêutico de Sêmen.