Trabalho que relaciona os índices maiores de poluição ao nascimento de mais meninas, em São Paulo, desperta interesse
Estudo desenvolvido pelo urologista brasileiro Jorge Hallak e sua equipe mereceu destaque na edição on line da revista Nature – a mais importante do mundo na cobertura científica multidisciplinar – no último dia 21 de outubro.
O estudo destaca as evidências de que, na cidade de São Paulo, o nível de poluição alto provoca o nascimento de mais meninas do que meninos. A poluição entra, assim, no rol dos eventos traumáticos que alteram as taxas de natalidade por sexo, como as guerras, os grandes desastres naturais, os ataques terroristas. É como se a raça humana reagisse a estas ameaças gerando mais mulheres, maiores responsáveis por sua reprodução e manutenção, destaca Jorge Hallak.
Jorge Hallak é médico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e responsável pela seção de reprodução humana, infertilidade e função sexual da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Detalhamento da pesquisa
Jorge Hallak e sua equipe dividiram a capital metropolitana de São Paulo, onde vivem 17 milhões de pessoas, conforme os índices de poluição do ar: baixo, médio e alto. E, a partir de 2001 até 2003, analisaram os registros de nascimentos. Constataram que, nas áreas mais poluídas o nascimento de meninas chegou a 49,3%; nas menos poluídas, 48,3%. Foram cerca de 1.180 bebês do sexo feminino a mais do que seria normalmente esperado, dentro dos padrões das áreas mais livres de poluição.
Hallak afirma que sua equipe encontrou evidências preliminares de que a poluição exerce seu efeito selecionando o esperma, isto é, alterando a proporção que carrega os cromossomos X ou Y. Experimentos realizados com ratos mostraram que as parceiras de ratos expostos à poluição geraram mais ratos fêmeas do que seria esperado. “A poluição também reduziu a contagem do esperma nos ratos”, afirma Hallak.